EEL/USP: Pesquisa realizada com leveduras da Antártica para produzir xilitol é premiada na Europa
A pesquisa recebeu prêmio de melhor pôster em conferência internacional em Lisboa; trabalho multidisciplinar de esforço colaborativo entre instituições propõe uso sustentável de resíduos da cana-de-açúcar.
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Uma pesquisa inovadora que une a biodiversidade de ambientes extremos à agroindústria brasileira acaba de receber reconhecimento internacional. O trabalho desenvolvido no Departamento de Biotecnologia da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP conquistou o prêmio de melhor pôster na International Conference on Bioenergy & Bioeconomy, realizada entre os dias 3 e 5 de dezembro, em Lisboa, Portugal.
Liderada pela Professora Maria das Graças de Almeida Felipe e apresentada pela pós-doutoranda Fanny Machado Jofre, a pesquisa premiada revela uma nova rota biotecnológica para a produção de xilitol, um adoçante natural de alto valor agregado.
Inovação: Do gelo extremo à cana-de-açúcar tropical
O grande diferencial do trabalho, intitulado “Biotechnological Potential of Antarctic Yeast Strains for Xylose-to-Xylitol Conversion”, está na fonte dos microrganismos utilizados. Os pesquisadores exploram o potencial de leveduras isoladas na Antártica (microrganismos adaptados a condições extremas de frio) para uso no contexto das biorefinarias.
O processo consiste em utilizar essas leveduras para converter a xilose (um açúcar presente na biomassa do bagaço e da palha da cana-de-açúcar) em xilitol. Essa abordagem não apenas valoriza os resíduos da indústria sucroalcooleira nacional, como também propõe um método de produção mais sustentável e integrado.
Colaboração e Apoio
A conquista desta premiação é fruto de um amplo esforço colaborativo. As leveduras antárticas, essenciais para o experimento, foram fornecidas pela professora Lara Durães Sette, especialista em microbiologia de ambientes extremos do Instituto de Biociências da UNESP (Campus de Rio Claro).
A pesquisa integra um Projeto Temático aprovado pela FAPESP (processo n. 2023/18416-0), coordenado pela professora Maria das Graças e pelo professor Adalberto Pessoa Júnior (FCF/USP). O projeto visa criar uma plataforma biotecnológica para obter biomoléculas a partir da cana-de-açúcar, reunindo pesquisadores de diversas partes do globo interessados na biodiversidade antártica.
Equipe Premiada
O reconhecimento em Portugal coroa o trabalho de uma equipe multidisciplinar, composta pelos pesquisadores: Adalberto Pessoa Junior (FCFUSP), Bárbara do Nascimento, Daiane Meneguzzi, Fanny Machado Jofre, Giulia Banzatti Mariano, Lara Durães Sette (UNESP), Marília dos Santos Ferreira, Valker Araújo Feitosa, e a coordenadora Maria das Graças de Almeida Felipe (EEL/USP).
- Texto cedido pelo pesquisador.